Nos dias atuais, a Ciência tem um status de verdade final, de suprema juiza nas questões envolvendo fatos ou fenômenos naturais ou sociais. Contudo, de onde vem esse tão eminente status?
Nosso objetivo é discutir a natureza da Ciência, como um cientista trabalha, como se constrói o conhecimento científico. Isso nos possibilita ter uma visão mais refletida, mais elaborada, sobre as formas de construção do conhecimento que podem ser observada em estudantes, superando concepções ingênuas, geralmente oriundas da opinião, e não da reflexão. Chalmers (1993, p.18) afirma que:
Nos tempos modernos, a ciência é altamente considerada. Aparentemente há uma crença amplamente aceita de que há algo de especial a respeito da ciência e de seus métodos. A atribuição do termo “científico” a alguma afirmação, linha de raciocínio ou peça de pesquisa é feita de um modo que pretende implicar algum tipo de mérito ou um tipo especial de confiabilidade. Mas o que é tão especial em relação à ciência? O que vem a ser esse “método científico” que comprovadamente leva a resultados especialmente meritórios ou confiáveis?
A mídia, em especial, tem passado essa visão de Ciência como supremo baluarte da verdade. Vemos propagandas de alvejantes, de creme dental, enfim, de diversos produtos que se apresentam com a chancela "cientificamente testado", como se a Ciência tivesse esse poder.
Sendo assim, quais são os limites da Ciência? Como se dá o processo de construção desse conhecimento? A discussão está aberta...
Referências:
CHALMERS, Alan Francis. O que é ciência afinal? Brasília: Brasiliense, 1993.
Ciência deveria ser tratada como conhecimento sobre um tema, que explique ou demonstre soluções à determinados problemas com resultados satisfatórios.
ResponderExcluirSatisfatório seria um "ponto de verificação" válido para a necessidade atual, podendo ser melhor explicado e/ou estudado quando este não for mais coerente para a situação que se desenvolveu.
Exemplo: o problema da posição dos planetas previstos como citado na última aula.
O que ocorre atualmente é uma dogmatização da ciência por pessoas crentes na imutabilidade ou inflexibilidade desta. Talvez por falta do uso ou estímulo por novas pesquisas.
(Fernando Vinicius e Giacomo)
Com relação à solução de problemas, vocês estão certos! A questão da verificação, no entanto, não ficou bem esclarecida. Qual seria esse critério de verificabilidade? Não seria apropriado falar sobre critério de refutabilidade?
ExcluirUm limite para a ciência seria a ética, por exemplo: Cientificamente é possível clonar um ser humano, eticamente não. Cientificamente é possível se construir armas de destruição em massa, porem não seria nem é ético.
ResponderExcluirEstando o conhecimento no próprio homem, onde pensava se na Grécia antiga que ele jamais o alcançaria e ele encontrou, esse mesmo conhecimento usado de maneira exacerbada pode vir até mesmo a eliminar a espécie humana.
Da mesma foma o uso cientifico de pesquisa científica para fins de cura por exemplo torna os próprios vírus resistentes às ultimas invenções, o que requer novas pesquisas, novas invenções e consequentemente novos vírus.
Assim como Santos Dumont, que inventou o avião e também o relógio de pulso, pois achava desconfortável tirar as mãos do manche para pegar o relógio até então usado no bolso interno dos paletós da época, cada nova invenção ou avanço pode trazer consequências maléficas e benéficas, eticamente corretas ou não. Analisando cautelosamente prós e contras, pode se chegar a limites para a ciência.
Rogério Hilgemberg
Sim, a ética é um balizador importante! Porém, a atividade científica nem sempre está preocupada com esse aspecto. Por isso, as instituições de pesquisa têm estabelecido comissões de ética, especialmente para tratar de questões que envolvem seres humanos ou animais.
ExcluirOutro ponto a ser destacado: não se pode confundir invenção tecnológica com ciência. Elas têm finalidades diversas.
Um limite para a ciência seria um tanto quanto difícil de ser implantando. A ciência nada mais é que a cobiça do ser humano pela explicação das coisas. Desde a filosofia dos gregos para a explicação do surgimento do mundo, até a atualidade sobre as pesquisas feitas para saber como os alimentos transgênicos afetam em nosso corpo. Esse conhecimento vem a partir do conhecimento humano, não existe limites para a ciência, a nossa curiosidade não tem um fim, nunca chegaremos ao ponto de se dizer: Está bom de conhecimento, não precisamos mais pesquisar. A cada descoberta cientifica, ou de qualquer outro gênero, surge uma nova incógnita, uma nova parte para ser descoberta. A ciência é infinita, o único "limite" seria a ética. A ética colocada em ação por pessoas que não tem o minimo senso cientifico pode fazer com que muita coisa seja jogada ao lixo, como por exemplo Gailileu Galilei provou em suas teses que a Terra era redonda, e não era o centro do universo, e sim o Sol, se opunhando totalmente a Igreja e sendo ameaçado de morte, sendo assim, só foi entrado em vigor anos e anos após suas pesquisas. A ética deve acompanhar o desenvolvimento cientifico, não pode ficar estagnada em apenas um nível, oque pode gerar um atraso para a evolução do conhecimento. A ciência, como dito anteriormente, provém do conhecimento humano, assim, cada qual tem seu ponto de vista sobre oque é ética ou anti-ético.
ResponderExcluirKamilly Neumann Braun
Então, na época de Galileu, não era "ético" contrariar as teses da Igreja Católica! Para ver como as questões éticas dependem dos valores de cada época. Cientistas alemães corroboravam as teses nazistas de segregação racial. Contudo, eles não foram os primeiros. Já no final do século XIX, já se estudava na Inglaterra questões relacionadas à Eugenia, o que fundamentou as teses nazistas de superioridade racial.
ExcluirAcredito que o tema desta discussão está ligeiramente sendo desviado para "como se usar a ciência" (onde a ética entra). Interessante também, mas antes vamos tentar definir ou entender melhor "o que é ciência" (ao meu ver, o limite que o professor levantou como tema não é o limite de onde ela pode chegar, e sim, delimitar o que é ciência).
ResponderExcluirGiacomo
Isso mesmo, Giacomo! A questão dos limites entre o que é e o que não é ciência está ligada às características intrínsecas da atividade científica, e não às questões das consequências éticas do emprego dos conhecimentos científicos.
ExcluirContudo, a discussão sobre a ética não é secundária, apenas distinta do nosso foco.
Acredito que o trabalho com os pensamentos dos epistemólogos trará maiores esclarecimentos.
ResponderExcluirAgradeço pela participação dos que já publicaram e enfatizo que o debate ainda está aberto!
A Ciência utiliza toda a tecnologia e conhecimento disponível para provar certo conceito, o que não ocorre numa analise singular ou numa simples exposição de opinião. Visto isso, se a eficácia de certo produto é cientificamente comprovada, baseado em nosso conhecimento / tecnologia atual seria impossível refutar tal ideia. É como um selo que determina que o produto X funciona.
ResponderExcluirEntretanto, não sabemos os critérios científicos que conduziram esta análise. Ou se de fato o produto foi analisado ou simplesmente é uma estratégia de marketing.
É praxe comum associar a imagem de artistas em campanhas publicitárias, vende-se mais. O que estamos testemunhando é a prostituição da ciência, vinculando sua “imagem” a futilidades do dia-a-dia ao invés de produzir algo realmente inovador.
Porem devemos lembrar que ninguém sobrevive sem dinheiro, é preciso se adaptar para não acabar extinto.
Tudo bem, mas o que seria "provar certo conceito"? De fato, você tem razão em afirmar que não se faz isso a partir de uma análise singular ou expressão de opinião.
ExcluirMas a prova seria feita de que forma? Qual o processo pelo qual uma teoria científica ou um conceito poderia ser provado? Isso seria possível?
Provar é chegar a uma conclusão lógica baseada nas evidências, não tem nada a ver com estar certo ou errado.
ExcluirComo fala David Dice (http://digipac.ca/ddice/)
“Na ciência nós coletamos evidencias empíricas através do processo da experimentação. Se nós coletamos evidencias suficientes, nós provavelmente vamos notar padrões ou regularidades nas evidencias, e então vamos desenvolver generalizações que descrevem o que nós observamos. Estas descrições generalizadas de eventos observados são chamados leis cientificas.”
Porem, estas evidencias são catalogadas por seres humanos, que podem cometer erros ou descuidos. Não significa que estas observações sejam ruins, são apenas limitadas, o que também limita a veracidade das conclusões tiradas com base nelas.
Portando não existe verdade absoluta se tratando de ciência, se certa ideia não puder ser refutada, passa a ser religião.